Um punhado de sementes. Um regador vazio. Pedaços de barbante.
Ele cavou um pequeno buraco no solo e guardou as sementes, porque nunca se sabe do futuro.
Aguentou firme uma tempestade rigorosa para guardar água no regador, porque, do futuro, nunca se sabe.
Trançou os pedaços de barbante, um a um, porque não ousava prever o depois.
Sementes plantadas, porque havia esperança;
Regador cheio de água, porque havia necessidades;
Corda tenaz, porque sempre há dúvidas.
Ele quis proteger a poeira de vida que brotava do solo.
Regava-a diariamente, revolvia a terra para melhor acomodá-la, acompanhava cada novo nuance, maravilhado.
Mas a corda... A corda sempre estava por perto. Porque, do futuro, nunca se sabe
Um pequeno tronco, com pequenos galhos e belas pequenas folhas. Força e beleza. Intensidade e enfeite. Grandeza e fragilidade.
Ele continuava a regar a mudinha. Mas, em um de seus galhos, amarrou uma das pontas da corda. Porque nunca se sabe do futuro.
Já com aspecto de árvore, nutrida e sempre crescendo por causa dos cuidados despendidos, da atenção dedicada e do carinho exclusivo, ela crescia mais e mais. Foi o momento de, no outro extremo da corda, fazer um laço. E repousá-lo, suavemente, ao redor de seu pescoço.
E regar. E regar. E regar...
Porque ele já sabia do futuro.