quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Impressionante como, na geração-celular-barato, todo mundo se lembra de mil coisas quando está na rua, todo mundo tem muita pressa enquanto o ônibus de viagem se atrasa mais que 2 minutos, todos têm muita urgência de resolver problemas enquanto estão no ônibus, qualquer chamada é justificativa para ausentar-se da sala de aula/curso/trabalho, madrugada parece um período ideal e razoável para telefonar e álcool passa a combinar com a tecla "send/ligar".
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Ao meio
E então, eu vejo a minha cama, vazia, e me dá um aperto no peito... Respiro fundo pra ir em frente, mas, olhando no espelho, encontro uma lágrima teimosa, insistindo em rolar.
Falta o seu toque macio. Falta o seu perfume suave. Falta a sua voz afinada. Falta a sua doçura. Falta metade de mim.
Falta o seu toque macio. Falta o seu perfume suave. Falta a sua voz afinada. Falta a sua doçura. Falta metade de mim.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
El derecho al delírio
(por Eduardo Galeano)
"O que acham se delirarmos um pouquinho? O que acham se fixamos nossos olhos mais alem da infâmia, para imaginarmos outro mundo possível
- O ar das ruas limpo de todo o veneno que não venha dos medos e das paixões humanas;
- Os carros sendo esmagados pelos cães;
- As pessoas não mais dirigidas pelos carros, nem programadas pelo computador, nem compradas por supermercados, nem também assistidas pela TV;
- A TV deixará de ser o membro mais importante da família e será tratada como um ferro de passar ou máquina de lavar roupa;
- Será incorporado aos códigos penais o crime de estupidez para aqueles que cometem: viver para ter ou para ganhar ao invés de viver para viver simplesmente, assim como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca;
- Os historiadores não mais acreditarão que os países gostam de ser invadidos;
- Os políticos, que os pobres adoram comer promessas;
- Ninguém viverá para trabalhar, todos trabalharão para viver;
- Os economistas não chamarão mais o nível de vida de nível de consumo e nem chamarão de qualidade de vida a quantidade de coisas acumuladas;
- Os cozinheiros não mais acreditarão que as lagostas amam ser fervidas vivas;
- A morte e o dinheiro perderão seus poderes mágicos e nem por falecimento e nem por fortuna um canalha se tornará um virtuoso cavalheiro;
- Ninguém levará a sério alguém que não seja capaz de tirar sarro de si mesmo;
- O mundo não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a indústria militar não terá escolha a não ser declarar falência;
- Nenhum país prenderá os rapazes que se recusarem a cumprir o serviço militar, mas aqueles que querem servi-lo;
- A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos;
- Ninguém morrerá de fome;
- As crianças de rua não serão mais tratadas como lixo, porque não haverá mais crianças de rua. As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá mais crianças ricas;
- A educação não será privilégio daqueles que podem pagá-la;
- A polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la;
- A justiça e liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, serão novamente juntas de volta, bem grudadinhas, costas com costas;
- Na Argentina, as “Loucas da Plaza de Mayo” serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer os tempos de amnésia obrigatória;
- A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas das escrituras de Moisés, e o sexto mandamento mandará festejar o corpo. A igreja também realizará outro mandamento que Deus havia esquecido: “Amarás a natureza da qual fazes parte”;
- Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma;
- Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperaram de esperar muito, muitos e se perderam de tanto procurar;
- Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os tenham vontade de beleza e vontade de justiça, tenham nascido vivido, sem se importarem nem um pouquinho com as fronteiras do mapa e ou do tempo;
- Seremos imperfeitos e a perfeição continuará sendo um privilégio chato dos Deuses;
- Neste mundo trapalhão, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última."
"O que acham se delirarmos um pouquinho? O que acham se fixamos nossos olhos mais alem da infâmia, para imaginarmos outro mundo possível
- O ar das ruas limpo de todo o veneno que não venha dos medos e das paixões humanas;
- Os carros sendo esmagados pelos cães;
- As pessoas não mais dirigidas pelos carros, nem programadas pelo computador, nem compradas por supermercados, nem também assistidas pela TV;
- A TV deixará de ser o membro mais importante da família e será tratada como um ferro de passar ou máquina de lavar roupa;
- Será incorporado aos códigos penais o crime de estupidez para aqueles que cometem: viver para ter ou para ganhar ao invés de viver para viver simplesmente, assim como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca;
- Os historiadores não mais acreditarão que os países gostam de ser invadidos;
- Os políticos, que os pobres adoram comer promessas;
- Ninguém viverá para trabalhar, todos trabalharão para viver;
- Os economistas não chamarão mais o nível de vida de nível de consumo e nem chamarão de qualidade de vida a quantidade de coisas acumuladas;
- Os cozinheiros não mais acreditarão que as lagostas amam ser fervidas vivas;
- A morte e o dinheiro perderão seus poderes mágicos e nem por falecimento e nem por fortuna um canalha se tornará um virtuoso cavalheiro;
- Ninguém levará a sério alguém que não seja capaz de tirar sarro de si mesmo;
- O mundo não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a indústria militar não terá escolha a não ser declarar falência;
- Nenhum país prenderá os rapazes que se recusarem a cumprir o serviço militar, mas aqueles que querem servi-lo;
- A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos;
- Ninguém morrerá de fome;
- As crianças de rua não serão mais tratadas como lixo, porque não haverá mais crianças de rua. As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá mais crianças ricas;
- A educação não será privilégio daqueles que podem pagá-la;
- A polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la;
- A justiça e liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, serão novamente juntas de volta, bem grudadinhas, costas com costas;
- Na Argentina, as “Loucas da Plaza de Mayo” serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer os tempos de amnésia obrigatória;
- A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas das escrituras de Moisés, e o sexto mandamento mandará festejar o corpo. A igreja também realizará outro mandamento que Deus havia esquecido: “Amarás a natureza da qual fazes parte”;
- Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma;
- Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperaram de esperar muito, muitos e se perderam de tanto procurar;
- Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os tenham vontade de beleza e vontade de justiça, tenham nascido vivido, sem se importarem nem um pouquinho com as fronteiras do mapa e ou do tempo;
- Seremos imperfeitos e a perfeição continuará sendo um privilégio chato dos Deuses;
- Neste mundo trapalhão, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última."
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